LISTAS
Desde as primeiras manifestações artísticas do ser humano até às mais avançadas bases de dados, o formato de lista parece inerente ao processo de compreensão do mundo. A formalização de uma lista implica o reconhecimento e enumeração de uma série de características que definem um objecto, um lugar, um conceito, uma situação, um indivíduo ou qualquer outra coisa. Listar é criar ordem, catalogar, descrever, racionalizar. Diz-nos Umberto Eco que na civilização Ocidental existe desde sempre uma predilecção pela lista, pela sistematização; em suma, pelo formato enciclopédico, independentemente da manifestação artística em causa (literatura, pintura, ópera, etc).
A lista é o mínimo denominador comum da organização de informação. O formato de lista, pela sua simplicidade estrutural explícita (e pelo seu complexo potencial recombinatório implícito) é transversal aos media e perene no tempo. Desde uma listagem dos animais de caça pintada nas paredes das grutas de Lascaux há 17.000 anos até uma pesquisa no Google que produz 17.000 resultados, a lista mantém as suas características formais: um compêndio de informação criteriosamente escolhida, organizado (e recombinado) de acordo com o potencial do medium em que se manifesta e de acordo com os critérios definidos por quem a elabora.
