Novos Media e o Arquivo

A EFEMERIDADE DOS MEDIA DIGITAIS COMO PARADOXO NA CONSTITUIÇÃO DE ARQUIVO

Nos dias de hoje, é possível aceder a inúmeros documentos cuneiformes produzidos à mais de 4.000 anos (1), e criteriosamente arquivados, catalogados e preservados. Pedras, pergaminhos, placas de argila, papiros, papéis, todos constituem um arquivo de documentos antigos que pode ser consultado e fornece preciosas informações sobre o passado. No entanto, com a era digital, a documentação assumiu um carácter mais efémero, uma vez que assenta em suportes fragéis e com curtos tempos de vida. A obsolescência de um medium é hoje quase contemporânea da sua criação, e esse facto é facilmente comprovado tentando ler hoje (2010) o conteúdo de uma disquete de 90 mm (inventada em 1984). Mas o simplismo deste exemplo comporta em si implicações maiores. O investigador , independentemente da área de investigação, depende do acesso ao arquivo. História, arte, jurisprudência, burocracia,  política, em suma, todas as áreas do conhecimento dependem do acesso ao arquivo. À ideia de arquivo preside uma função de preservação dos documentos que o constituem, mas apesar disso, quando falamos de media digitais, esta não parece assegurada, uma vez que que os suportes digitais estão notoriamente mais equipados para a disseminação de informação do que para a sua preservação.

É um paradoxo interessante o que vivemos, quando são processados volumes de dados sem precedentes, e no entanto o arquivo assenta em media cuja durabilidade é desconhecida e cuja obsolescência é evidente.

Palavras-chave: Obsolescência, efemeridade, media digitais, Arquivo

Algumas referências:

(1) Manuel Lima, Visual Complexity Blog Leaving no trail behind

Umberto Eco, Sobre a efemeridade dos media

Experimental Jetset, Lost Format Preservation Society

File under LISTS and FORMATS

LISTAS E FORMATOS

A lista é uma estrutura de informação simbólica que permanece imutável ao longo dos vários media em que se manifesta. A sua elaboração é fundamental para a recolha de dados que posteriormente, e de acordo com o potencial do medium em causa, serão cruzados, recombinados e interpretados. Assim se produz, a partir da matéria-prima (dados), conhecimento. Uma lista de referências bibliográficas, uma lista de autores, uma lista de citações, uma lista de obras, permitem, através do reconhecimento dos pontos comuns entre os dados, delimitar um território. Diz-nos Lev Manovich, no seu artigo: Database as a genre of New Media que, depois do advento da programação computacional, o mundo é reduzido a dois tipos de software objects: bases de dados e algoritmos. Por bases de dados entenda-se listas. Por algoritmos entenda-se a complexa rede de combinações possíveis dessas listas com outras listas, e dessas listas (dos dados que as compõem) entre si. Numa lista existem duas partes constituintes com igual importância: uma explícita, outra implícita, respectivamente, os dados, e a possibilidade de os combinar. A possibilidade de os combinar e recombinar (a propriedade implícita das listas), é o ónus dos media em que se manifesta e sobrevive. É o medium, e o seu rácio entre limitações e potencial, que determina quais as possibilidades recombinatórias de uma determinada lista. “The new media object consists of one or more interfaces to a database of multimedia material“(Manovich).

É agora altura de trazer um novo conceito à discussão. Harold Innis, no seu livro “The Bias of Communication” (innis) expõe a sua visão bicéfala dos media como controladores de tempo e de espaço. Innis demonstra como os media impressos (jornais, livros, etc) têm propensão para o controlo do espaço e do poder secular, enquanto os media gravados (placas de pedra ou argila) têm propensão para o controlo do tempo, a continuidade e o conhecimento metafísico e religioso. Partindo desta análise, podemos assumir que os media digitais, pela sua facilidade de propagação geográfica se prestam ao controlo do espaço, e pela sua imaterialidade falham redondamente no controlo do tempo. E esta questão não é menor: uma sociedade constrói a sua história com base no arquivo, e a propagação (e quase hegemonia) de media efémeros (digitais) torna a constituição de um arquivo uma tarefa hercúlea, senão impossível. Esta questão ainda parece preocupar poucas pessoas. Na vertigem de constantes inovações tecnológicas poucos parecem lembrar-se do aceleradíssimo factor de obsolescência dos media que produzem, e principalmente, armazenam informação. No blog do Visual Complexity (aqui), Manuel Lima escreve sobre a sua crescente preocupação com a falta de longevidade dos media digitais. Somos uma geração que se arrisca a não constituir arquivo. Também Umberto Eco demonstra estar atento a esta questão. Num pequeno artigo no Der Spiegel escreve sobre a efemeridade dos media: “Os suportes modernos parecem criados mais para a difusão da informação do que para sua conservação“. (…) “É possível que dentro de alguns séculos a única forma de ter notícias sobre o passado, quando todos os suportes eletrônicos tiverem sido desmagnetizados, continue sendo um belo incunábulo“. Evoque-se também o projecto LOST FORMATS PRESERVATION SOCIETY, do estúdio de design holandês Experimental JetSet, que conhece a sua génese nas páginas do número 57 da revista Emigre. Aqui, é particularmente interessante a atenção dada aos formatos de armazenamento de informação (data, audio, video), e os seu curtos períodos de vida útil, assim como a dialética que se estabelece entre forma e conteúdo: “We’re really interested in this continuous interaction between form and content: Form determining content determining form determining content etc. It’s a continuous flow, and in the ideal situation, you can’t really distinguish between form and content; they constantly change place”. E ainda: “In 2000, we realized formats were slowly disappearing. There once was a time when every format contained its own specific data, while nowadays the CD-ROM format is capable of containing all data, and even the CD-ROM is slowly disappearing.”

File under LISTS and INDEX

LISTA COMO INDEX

“An index is a retrieval device, an access aid.” (…) “An index is a systematic topical analysis alphabetically arranged or arranged by function, command, procedure, or topic. It is a reader’s most important map for locating information … [and is] … read in random-access style.” Larry Bonura, The Art of Indexing (1994, John Wiley & Sons, Inc. ISBN 0-471-01449-4).

Na rigidez da sua estrutura a lista esconde uma miríade de possibilidades: a sua função indexante (index) permite auxiliar a navegação do leitor, a sua função “inventariante” (inventário) permite formalizar uma resenha dos marcos fundamentais de um território (físico ou conceptual) até determinada data, ou seja, delinear contornos possíveis desse território; e a sua função “mapeante” (mapa) permite reunir as outras duas num dispositivo de reconhecimento. Este dispositivo de reconhecimento é tão mais eficaz quanto maior fôr o já citado rácio entre limitações e potencial do medium onde opera. O potencial da enciclopédia impressa foi enormemente potenciado na sua eficácia, quando o seu modelo foi transposto para um medium como a Internet. “Similar to the CD-ROM medium, the Web offered fertile ground to already existing database genres (for instance, bibliography) and also inspired the creation of new ones such as sites devoted to a person or a phenomenon (Madonna, Civil War, new media theory,etc.) wich, even if they contain original material, inevitably center around the list of links to other web pages on the same person or phenomenon.” (Lev Manovich, Database as a Genre of New Media ).

File under LISTS

LISTAS

Desde as primeiras manifestações artísticas do ser humano até às mais avançadas bases de dados, o formato de lista parece inerente ao processo de compreensão do mundo. A formalização de uma lista implica o reconhecimento e enumeração de uma série de características que definem um objecto, um lugar, um conceito, uma situação, um indivíduo ou qualquer outra coisa. Listar é criar ordem, catalogar, descrever, racionalizar. Diz-nos Umberto Eco que na civilização Ocidental existe desde sempre uma predilecção pela lista, pela sistematização; em suma, pelo formato enciclopédico, independentemente da manifestação artística em causa (literatura, pintura, ópera, etc).

A lista é o mínimo denominador comum da organização de informação. O formato de lista, pela sua simplicidade estrutural explícita (e pelo seu complexo potencial recombinatório implícito) é transversal aos media e perene no tempo. Desde uma listagem dos animais de caça pintada nas paredes das grutas de Lascaux há 17.000 anos até uma pesquisa no Google que produz 17.000 resultados, a lista mantém as suas características formais: um compêndio de informação criteriosamente escolhida, organizado (e recombinado) de acordo com o potencial do medium em que se manifesta e de acordo com os critérios definidos por quem a elabora.

Design de Comunicação e New Media (ilustração/imagem)

Alguns argumentos:

A lista é o mínimo denominador comum da organização de informação. De facto, o formato é transversal aos media e perene no tempo.

Desde as primeiras manifestações artísticas do ser humano até às mais avançadas bases de dados, o formato da lista parece inerente ao processo de compreensão do mundo.

Listar é criar ordem, catalogar, enumerar caraterísticas, descrever.

Numa lista existem duas partes constituintes com igual importância: uma explícita, outra implícita, respectivamente, os dados, e a possibilidade de os combinar. A possibilidade de os combinar e recombinar, é o ónus dos media em que se manifesta e sobrevive. É o medium, e o seu rácio entre limitações e potencial, que determina quais as possibilidades recombinatórias de uma determinada lista.

Tento assim, relacionar os territórios do Design de Comunicação e Novos Media. Identificando o seu menor denominador comun, o building block das suas estruturas de informação, vendo os novos media como novas possibilidades recombinatórias.

Algumas referências:

Lev Manovich – Database as a Genre of New Media

Umberto Eco – The Vertigo of Lists

// Before & After //

// BEFORE:

Marshall and Eric MacLuhan- Laws of Media: The New Science (1988)

First law of media:

1. Extension/Enhancement: Every technology extends or amplifies some organ or faculty of the user. What does the medium enhance or intensify?

 

// AFTER:

Stelarc- Third Arm

Ver entrevista aqui

// Before & After //

// BEFORE:

Aby Warburg- Der Bilderatlas MNEMOSYNE

 

// AFTER:

Jen Thorp- Glocal Similarity Map Engine

//Before & After //

//BEFORE:

Paul Otlet- Encyclopedia Universalis Mundaneum

//AFTER:

Christine Buci-Glucksmann -The carthographic View to the Virtual

Christine Buci-Glucksmann -The carthographic View to the Virtual

UM FESTIVAL

POST COMPOSTO
Nuno Belmonte [românico]- ZONA DE CONTACTO
Paulo Vinhas (itálico)- EXISTENZMINIMUM

Tentar transmitir uma perspectiva aprofundada sobre todas as temáticas abordadas neste festival — sob o conceito “Paisagem” — num Post de blog, seria pretensioso e inglório. A “Paisagem” proposta, enquanto processo activo, foi mediado por experiências humanas “subjectivas”. Existe sempre uma percepção diferente quando a experiência é “real”, a panorâmica torna-se mais abrangente e as “alterações” pessoais mais evidentes e nítidas. Senti um excelente festival. Mais do que uma descrição fastidiosa sobre o evento (alguém o fará, certamente), é importante sublinhar alguns conceitos, ideias e relações que se estabeleceram nesta “Paisagem“. Sendo assim, assumimos duas perspectivas — uma mais absorvente (Nuno) e outra mais crítica (Paulo) — de modo a abordar o Festival de forma mais substantiva.

A minha presença no Mundo molda esse Mundo e modifica-me. O mundo molda a mente, e a mente molda o Mundo. Existe uma compreensão dialógica sobre a percepção do Mundo. O diálogo com espaço é negociado. Utilizamos as nossas ilusões enquanto processo construtivo.

A arte que uma sociedade produz é sempre um reflexo do tempo em que é produzida, do espírito do tempo, ou zeitgeist. Como indivíduos que são (e por mais individualizada que a produção artística seja), os agentes de produção artística não escapam a esta realidade, e produzem, na forma ou no conteúdo, de acordo com aquilo que se constitui como um panorama de paradigmas colectivos actuais. Ora, tomar a ciência como derradeira legitimação de qualquer coisa é precisamente um desses paradigmas. E como tal, a arte que se vai produzindo hoje, espelha bem esse estado de espírito. Princípios das ciências sociais, naturais e formais são recorrentemente introduzidos na prática artística  e no design. As áreas de conhecimento contaminam-se e a hibridização instala-se. Um festival de Intermedia Experimental é disso um sintoma óbvio. Os temas tratados pelos convidados também.

Carsten Stabenow-Staalplat Sound System

CONVERSAS [1]
Carsten Stabenow (DE)
Staalplaat Sound System (DE)
O espaço é o som. O projecto utilizava sons do quotidiano, presentes na paisagem sonora já assimilada (que ouve, mas não se escuta). Critica a noção de ruído, que entende com “artificial”. Salienta a pesquisa sobre novas formas de o tornar produtivamente relevante, existindo a necessidade de uma reconfiguração no processo de Design. “Acordar” para o que nos rodeia sonoramente, criando novas relações com o espaço público. Escutar novamente. Neste contexto, o som torna-se “subjectivo” — como a experiência é vivida reflecte como o ouvimos.
Tuned City, um dos projectos apresentados por este dois convidados cruza preocupações da arquitectura/urbanismo, das ciências sociais e culturais, do design e até políticas. Grande parte dos projectos apresentados(City Matress, Inwound) tinham como  preocupação maior a modelação da relação dos indivíduos com a paisagem sonora que os circunda.
A construção da paisagem (que constitui o real, aqui e agora) faz-se em diferentes níveis: sonoro, visual, físico e humano, e é um desafio a várias áreas de acção, como acima referido.

Jussi Ängeslevä & Ross Cooper- Last Clock (2001)

WORKSHOP [2]

Jussi Ängeslevä (FI/DE)
Formas de ver computacionais. Evoca a importância da “manipulação” da imagem para uma melhor percepção da realidade, em que o computador tem um papel decisivo — cria visualizações realisticamente impossíveis, mas traduz novos olhares, novas relações com o espaço, tempo e o observador.  Um projecto — Extracts of Local Distance – exemplifica esta forma de “pensar”, em que os computadores executam as suas funções, deixando a composição para o Designer. Um momento para a procura de uma nova “ideia”: estar “consciente” do projecto e tentar “extrapolar”. Entre a discussão sobre a relevância ou aplicabilidade de projectos de media, e a “compartimentação” do artista media no contexto artístico actual, uma ideia sobressai — todo o artista é multimedia,  a relevância reside na “ideia”. Esta deverá responder à questão “valerá a pena?”, existente na relação entre a complexidade do projecto e o “output” do mesmo.

Unsworn Industries Workshop-Scouting Locations-Festival UM Lisboa

WORKSHOP [3]
Unsworn Industries (SE)

Interaction Design. Trabalham à volta das relações dos indivíduos com o espaço público/privado. Os dispositivos que desenvolvem propõem novas formas de relação com os espaços que os contêm. Amplificam, modulam, dispersam e/ou re-direccionam a participação dos indivíduos na construção da paisagem sonora. Modelam  comportamentos individuais e de grupo. Os seus projectos abordam questões sobre espaço público/esfera privada, responsabilidade —individual ou partilhada— participação, e comunicação. A metodologia de trabalho, que na sua estrutura deve muito ao protocolo científico (escolha do tema, formulação de hipóteses, e experimentação laboratorial) é reflexo da complexidade da proposta e da incerteza da resposta. Como nas ciências sociais, o foco da sua investigação reside nas relações dos indivíduos entre si, nas suas interacções, e nos resultados que produzem no desenho da cidade. Numa lógica de intervenções pontuais no espaço urbano, adicionando ou subvertendo equipamentos funcionais na/da cidade.

Terike Hapooja-Entropy-Festival UM Lisboa (2009)

CONVERSAS [2]

Evelina Domnitch e Dmitry Gelfand (NL)

Terike Haapoja (FI)

O aumento da nossa consciência e conhecimento sensorial foi transversal aos dois projectos. Na primeira abordagem, o espaço é perspectivado enquanto físico e metafísico (elástico e ilimitado quanto à sua direcção), na criação de uma Brainscape, em paralelo com a Landscape. Uma paisagem suportada numa linguagem esteticamente atraente e numa “consciência” de “aventura curiosa”. Relações entre energias (sonora e luminosa) na criação de experiências científicas particulares, ressonância acústica na captação de gás ou líquido, observações sonoquímicas, reflexões visuais sobre a matéria, são experiências que traduzem uma necessidade evidente de re-sintonização mental na percepção de novas linguagens. Com Terike, a existência de emoções em contacto com um processo físico estabelecem conexões entre a matéria e a mente. A preocupação criativa reside sobre o “dispositivo” e a forma como é utilizado (relaciona-se com workshop do Jussi). Este “diálogo” entre a vida e a tecnologia serve de orientação a vários projectos (Dialogue, Entropy, Passings, Inhale-Exhale). Diferentes conceitos de diferentes disciplinas estão implícitos nos seus projectos, e a individualidade — tão central no contexto artístico— é traduzida na atracção pelo conceito de comunidade (ver projecto das bactérias). Do feedback a ambos os percursos emerge a ideia de Paisagem enquanto movimento horizontal, que só se concretiza na existência de um observador, em oposição ao espaço físico. A “matematização” da natureza (informação enquanto representação matemática da natureza, suportada em medida e cálculo) e a utilização de elementos lógicos na “reconstrução” das “coisas” expressa uma Paisagem que não é, uma Paisagem apenas representada. A relação da arte com a ciência é evidente na distinção entre o artificial e o natural, numa prática controlada, que renega a associação da MediaArt a uma arte racionalizada, provida de emoções. Assumir uma “consciência” objectiva deste facto implica ter uma abordagem radical em relação ao “status-quo”,
gerando novas perspectivas, novas ilusões.
Destas duas conversas fica principalmente uma ideia: nestas áreas recentes de produção artística intermedia parece haver um certo fascínio com todo o aparato tecnológico que circunda estas práticas. De facto parece que um resultado inesperado de uma experiência científica se torna (demasiado) rapidamente num discurso artístico de sentido variável e avaliação discutível. Talvez, pela infância destas áreas, ainda seja demasiado ambicioso querer conseguir separar aquilo que se pode constituir como um discurso artístico daquilo que é um temporário fascínio tecnológico.
O fascínio pela descoberta científica é um dos paradigmas do mundo de hoje, e a indefinição sobre o que é o discurso artístico é um dos paradoxos de sempre. Também aqui parece haver uma zona indefinida de contacto, que não nos permite delinear inequivocamente o que é uma ou outra (arte/ciência). Se já desde a Renascença (sobretudo com Leonardo da Vinci) se advogava uma intrínseca relação entre investigação artística e investigação científica, agora, 500 anos volvidos — e com poucos exemplos de uma junção entre estes dois campos de investigação—a tecnologia (e não a ciência) parece ocupar essa zona de contacto com a arte.

WORKPATH – OPEN DISCUSSION
DC/FBAUL
UDK
É transmitida a ideia de “currículo aberto” como orientação dos cursos, promovendo maior autonomia e prática. No lado português, uma maior preocupação na relação entre-projectos, estabelecendo relações (conceito e estrutura) na transposição de ideias/conteúdo expressivos e substantivos (Cãoceito, Desconstrução Narrativa, Plataforma Comum, Reactor, entre outros). No lado alemão, o objectivo é testar as propriedades dos “ingredientes” dos novos media, já apresentados no Workshop [2] e na exposição ( Image Fulgurator, Monitor Photography e Artificial Smile, entre outros). Finalizando, questionam-se os projectos: obra de Arte ou projecto de Design. A criação de “frameworks” para a disciplina não reuniu consenso, colocando do lado do criador/designer o “sentir” em relação ao projecto que executa e à actividade de exerce.

CONVERSAS [3]

Unsworn Industries (S)

Jussi Ängeslevä (FI/DE)
A primeira parte foi de encontro ao tema na forma mais directa. A criação de conexões com o espaço público, através da criação de “áreas” de acção, traduz um objectivo. A abordagem, no entanto, não interfere, não assume. Dá um passo atrás e coloca o ênfase na audiência, nas pessoas (Telemegaphone). Estas assumem o destino dessa ligação, criando um vazio na atribuição da responsabilidade: Designer, proprietários ou audiência? Da grande escala para a pequena escala (Megaphonebooth), a obrigatoriedade da presença física na criação e transmissão da mensagem coloca novas questões, entre a solução (eu expresso-me) e a revelação (eu exponho-me). Do objectivo de encontrar o equilíbrio correcto emerge a primeira referência à essência do Design neste festival: resolução de problemas. Existe uma mudança a ocorrer na construção da “paisagem” do Design? Jussi mais uma vez aborda esta temática de forma inspiracional suportada em projectos implementados. Noção de reflexão, da relação entre imaterial e material (Duality; Body Mnemonics), da influência do “tempo” no “espaço”, tudo se encaminha para questões fundamentais: o que quero dizer com isto? o que significa isto? porque é que quero fazer isto? Questionar o conteúdo e a sua relevância poderá traduzir uma excelente perspectiva para este post, também.

 

Palavras-chave: Intermedia, Arte, Ciência, Design

// Before & After //

Gostava de inaugurar uma nova coluna no blog.

De título Before & After, terá uma estrutura que pode ser descrita como o cruzamento improvável entre o magazine “no comment” da Euronews, um anúncio da TV Shop, e um jogo de “Descubra as diferenças”.

// BEFORE:

theater01

Hiroshi Sugimoto - Theaters

 

 

Hiroshi Sugimoto – Theaters “Radio City Music Hall” – 1978

Fotografias de longa exposição com câmara de grande formato. O  obturador é aberto no início do filme, e fechado no fim do filme.

// AFTER:

vertigo

Brendan Dawes - Cinema Redux "Vertigo"

 

 

Brendan Dawes – Cinema Redux “Vertigo (1958, Alfred Hitchcock)”- Created in January 2004

Programação Java. Nas palavras do autor: “This small piece of software samples a movie every second and generates an 8 x 6 pixel image of the frame at that moment in time. It does this for the entire film, with each row representing one minute of film time.”

Descubram as diferenças!

 

Palavras-chave: Remediation, Feedback, Brendan Dawes, Hiroshi Sugimoto